Mark Zuckerberg, que em geral não gosta mais da imprensa, deu entrevistas na última semana a fim de promover o desenvolvimento de inteligência artificial com código aberto. Ele também escreveu um editorial no Wall Street Journal.
Em uma parte notável, para ilustrar seu argumento de que a IA precisa ser acessível a todos, ele falou:
Como um experimento mental, imagine que apenas uma pessoa tenha um advogado superinteligente. Ela teria uma vantagem injusta no tribunal — mesmo que a sua posição estivesse errada no mérito. Isso levaria a uma sociedade pior. Mas, agora, imagine que todo mundo tenha um advogado superinteligente. A justiça seria realizada de forma muito mais justa e eficiente do que é hoje. Quando as pessoas são empoderadas, elas naturalmente fiscalizam e equilibram umas às outras e ao poder das grandes instituições.
O argumento é hilário.
Primeiro, porque Zuckerberg é bilionário e sua empresa Meta é trilionária. Apenas no segundo trimestre de 2026, a empresa gastou US$2,4 bilhões em despesas legais, com equipes gigantes de advogados – e ainda assim consegue perder casos importantes nas cortes.
Segundo, porque executivos da Meta foram escrachados por uma juíza por entrarem com os óculos "inteligentes" Meta Glasses no tribunal – um gostinho de que o judiciário pode não ser tão aberto ao uso de IA nas cortes tão cedo.
Por fim, porque a Meta está muito atrás na corrida do desenvolvimento de ponta de IA. Google, Anthropic e OpenAI possuem modelos superiores àqueles desenvolvidos pela Meta ou por empresas que fazem modelos de pesos abertos ou full open source.
Não posso provar, mas acredito que se a Meta tivesse um modelo de ponta, não estaria pressionando por código aberto e perdendo sua vantagem competitiva.




