Apesar de a adoção de inteligência artificial ser permitida em 37% das escolas brasileiras, a presença de guia para orientar atividades de ensino, de aprendizagem e de gestão está presente em apenas 22% delas.

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O dado faz parte da pesquisa TIC Educação, lançada nesta terça-feira (4.ago.2026) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

Coordenadora da pesquisa, Daniela Costa aponta que o avanço acelerado das tecnologias têm sido um desafio para que as unidades de ensino consigam compreender o funcionamento da IA, se adaptar e refletir criticamente sobre os impactos.

"Esta dificuldade pode representar riscos ao uso crítico, responsável, ético e criativo desses recursos, assim como à garantia de direitos, especialmente levando-se em conta que, em grande parte, tais sistemas dependem de dados para o seu funcionamento, muitos deles sensíveis", afirma Daniela.

No ano passado, a primeira parte do levantamento já tinha identificado que 70% dos estudantes do Ensino Médio utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa para pesquisas fora da escola e 43% dos professores as integram na elaboração de atividades para os alunos.

Em 2023, foi sancionada a Lei 14.533, que institui a Política Nacional de Educação Digital (PNED), a fim de articular ações, projetos e programas entre os estados com prioridade às populações mais vulneráveis.

Resolução nº 2/2025, do Conselho Nacional de Educação e da Câmara de Educação Básica, definiu que, a partir de 2026, é obrigatória a implementação dos currículos e de formação docente sobre o uso de dispositivos digitais em espaços escolares e de educação digital e midiática.

Nesta edição, os autores entrevistaram 2.404 gestores de escolas públicas e particulares, de áreas urbanas e rurais no ano passado. Mais da metade deles (53%) informou que utiliza IA generativa em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

As principais finalidades são a criação de conteúdos visuais ou de comunicação, como apresentação de slides e vídeos, (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).

A coordenadora do TIC sinaliza que, assim como em outros setores da sociedade, esses profissionais buscam otimizar algumas tarefas. "Os gestores utilizam tais ferramentas na busca por benefícios para a sua prática ou para o aprimoramento da oferta de educação nas instituições que gerenciam", afirma.

Por outro lado, a pesquisa indica que a discussão sobre tecnologias digitais nas escolas avançou, especialmente por causa da promulgação do ECA Digital, que entrou em vigor em mar.2026, e das normas sobre currículo obrigatório de educação midiática e digital, além da restrição do uso de celulares na sala de aula.

Em 2025, 75% dos gestores disseram se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto – em 2024, a proporção era 68%.

Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais (de 56% em 2024 para 75% em 2025) e a inclusão da educação midiática no currículo escolar (de 46% para 67%).

De acordo com Costa, a próxima pesquisa que está sendo realizada com alunos e professores deve aprofundar as questões sobre como a IA está sendo apropriada na comunidade escolar.

Texto Jeniffer Mendonça
Arte Aleksandra Ramos
Edição Alexandre Orrico