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EUA sente a pressão de IA da China
Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
EUA sente a pressão de IA da China

Comentário interessante de um especialista em inteligência artificial ao The New York Times sobre o estado de desenvolvimento de modelos fechados de linguagem nos EUA, em relação à abordagem da China de criar sistemas de código aberto:

"O governo mais autoritário está produzindo os modelos mais igualitários, e o que deveria ser o governo mais democrático está gerando empresas que são as mais autoritárias," disse Rayan Krishnan, CEO da Vals AI, uma empresa que avalia o desempenho dos mais recentes modelos de IA.

Segundo o artigo, os modelos abertos chineses estão perigosamente perto dos norte-americanos em termos de qualidade, além de serem muito mais baratos, colocando pressão sobre a inchada estrutura criada pelas empresas no país, especialmente com data centers.

Por conta de um embargo dos EUA, a China não pode comprar chips estado-da-arte da Nvidia ou outras empresas americanas para seus data centers, e precisa ser muito mais criativa na eficiência de desenvolvimento de modelos.

Via New York Times

O que mais...

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Bets temem mais regulação no Brasil

    O repórter Pedro S. Teixeira (cara bom), da Folha, fez uma boa reportagem sobre o aumento, no Brasil, de 300% no número de apostas durante a Copa do Mundo.

    Mas o que me chamou atenção mesmo na reportagem foi que as empresas de apostas continuam receosas com potenciais novas regulações sobre publicidade do setor, além das que já foram implementadas recentemente – as bets gastaram mais de R$1,4 bilhão em mídia só em 2025.

    Outro ponto de preocupação para o setor foi a reação do governo Lula, além de estados e municípios, contra a publicidade de jogos de azar durante a Copa.

    O presidente da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), Plínio Lemos Jorge, disse que algum nível de restrição era esperado às vésperas das eleições, mas o setor teme que os anúncios recentes sejam "o início de uma onda de retaliações, que desconsidera os efeitos negativos das restrições".

    Agora em julho, foram publicadas novas regras para anúncios, que restringem, inclusive, o incentivo de bets como uma forma fácil de ganhar dinheiro e a obrigatoriedade de trazer rótulos no estilo Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência.

    Antes tarde do que mais tarde.

    Via Folha de S.Paulo, Agência Brasil, Poder360 e Meio de Mensagem

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Contra a youtubização do Spotify

    Há alguns anos, o Spotify decidiu que concorreria com o YouTube. Podcasts foram incentivados a ganhar versões em vídeo, enquanto músicas passaram a exibir trechos de clipes que, na maioria dos casos, eram reproduzidos automaticamente em segundo plano. Na última sexta-feira (17), reforçando essa estratégia, o BTS lançou o clipe de “NORMAL” com exclusividade de 48 horas no Spotify.

    Esse direcionamento tornou o aplicativo mais confuso e difícil de usar, além de aumentar brutalmente o consumo de bateria e memória dos dispositivos.

    Recentemente, porém, descobri que o Spotify passou a permitir que os usuários desativem por completo vídeos, canvas (os vídeos curtos em loop) e outros recursos visuais.

    Nos links abaixo, há instruções para quem, assim como eu, quer deixar o Spotify com menos cara de árvore de Natal.

    Via WIRED e Tecnoblog

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    "Não é A, é B" – o vício de linguagem dos chatbots

    Artigo interessante na The Atlantic sobre um vício de linguagem avassaladoramente comum em chatbots que têm denunciado implicitamente quem delega pensamento para inteligência artificial:

    "Não é X; é Y". Uma vez que você começa a notar essa construção, você a vê por toda parte. Em uma versão, o Y é aditivo: ele foca, intensifica ou expande o X. Um relatório anual do Citizens Financial Group informou que o crescimento em sua divisão de private banking "não foi apenas uma vitória para o private bank — é uma vitória para toda a empresa". Em outra variante, o Y substitui o X como o descritor preferido... Há também construções como "Sem A, sem B, apenas C", que parecem surgir especialmente em ficção gerada por IA.

    Esse tique nervoso da IA pode acusar pessoas injustamente. Esse tipo de formulação é recorrente, comum, embora agora o exagero seja evidente, especialmente no LinkedIn. Na minha opinião, esses vícios vão forçar algumas pessoas a escrever diferente, a fim de se distanciar da verborragia sintética dos chatbots.

    Eu, por exemplo, sempre usei travessão para escrever, tanto em português quanto em inglês. Confesso que no último ano fui bem mais intencional e limitado com esse uso, justamente para evitar dúvidas de que é um modelo de linguagem escrevendo por mim.

    Via The Atlantic (gift link)

  • Sofia Costa Sofia Costa
    Projeto de lei para regular óculos inteligentes avança na Câmara

    Um projeto de lei que estabelece condições, deveres e restrições ao uso de óculos inteligentes com recursos de inteligência artificial foi apresentado em 2.fev.26 na Câmara dos Deputados. O PL 19/2026 teve parecer aprovado pela Comissão de Viação e Transportes em 13.mai.26 e avançou para a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    Para o deputado autor do projeto, Carlos Zarattini (PT-SP) o dispositivo introduz ameaças a direitos assegurados pela Constituição Federal:

    "Em especial à privacidade, à proteção de dados pessoais, à imagem, à liberdade individual e à segurança pública. Diferentemente de tecnologias tradicionais, tais dispositivos permitem a captação discreta e contínua de imagens, sons e dados ambientais, associada a capacidades de processamento, reconhecimento e inferência em tempo real".

    Por isso, em sua proposta original, ele sugere:

    • que sejam implementados sinais visuais, sonoros ou equivalentes, permanentes e inequívocos, que indiquem a captação ativa de imagem ou áudio;
    • que funcionalidades de reconhecimento facial, identificação biométrica ou inferências sensíveis sobre terceiros sejam impedidas por padrão, exceto em caso de lei específica;
    • que sejam disponibilizados documentos técnicos claros quanto às informações coletadas;
    • que seja proibido o uso em ambientes como banheiros, vestiários, instalações de saúde e outros, exceto nos casos de autorização prévia;
    • que o o uso de óculos de IA durante a condução de veículos seja considerado infração de trânsito do tipo gravíssima quando comprometer a atenção do condutor, o que cabe ao Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN regulamentar;
    • que seja crime com 2 a 4 anos de reclusão registrar dados de terceiros para prática de crimes, entre outros.

    A proposta passou pela Comissão de Viação e Transportes e foi aprovada com emenda. A alteração feita foi não mais proibir o uso, mas, como um critério mais objetivo segundo o relator, vedar "o uso de dispositivos vestíveis ou portáteis que obstruam, total ou parcialmente, o campo de visão do condutor em relação à via e ao seu entorno".

    Em 18.mai.26, a proposta foi recebida pela Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    Essa apuração foi feita com documentos obtidos via monitoramento no Legislatech.
    Legislatech é uma ferramenta desenvolvida pelo Núcleo. Acesse legisla.tech e teste de graça.
    Texto Sofia Costa
    Edição Alexandre Orrico

  • Jeniffer Mendonça Jeniffer Mendonça
    Ancine determinou a suspensão de 24 mil sites e IPs por pirataria

    A Agência Nacional do Cinema (Ancine) determinou a suspensão de 23.938 IPs e 4.161 sites por oferta ilegal de conteúdos audiovisuais na internet entre abr.2025 e abr.2026, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação pela agência Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública.

    O maior número de bloqueios se deu no mês passado, com 4.584 IPs e 808 URLs.

    Após edição da Lei 14.815/2024, a agência passou a ter poder de determinar, em âmbito administrativo, a suspensão e a cessação do uso não autorizado de obras audiovisuais, como streamings ilegais.

    No mês passado, foi publicada instrução normativa para regulamentar o combate à pirataria de obras audiovisuais em ambientes digitais. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é a responsável por notificar os provedores sobre as decisões de bloqueio.

    Texto Jeniffer Mendonça
    Edição Alexandre Orrico
  • Jeniffer Mendonça Jeniffer Mendonça
    18% das unidades de saúde usam IA no Brasil, diz pesquisa

    O uso de inteligência artificial está presente em 18% dos estabelecimentos de saúde no Brasil, segundo dados da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, lançada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (12.mai.2026). Em estimativas, é o equivalente a 23.667 unidades, considerando os setores público e privado, em 2025.

    Essa utilização se concentra em estabelecimentos com internação e mais de 50 leitos (31%), ou seja, hospitais com maior complexidade de atendimento, e nos Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutico (SADT), modalidade de exames complementares, (29%).

    O principal uso informado se dá pela adoção de modelos de inteligência artificial generativa, por meio de chatbots como ChatGPT e Gemini (76%). Em segundo lugar, está a mineração de texto e análise de linguagem escrita ou falada (52%). Não há diferença significativa por esfera pública e privada nesses quesitos.

    Coordenadora de projetos de pesquisa do Cetic.br, Luciana Portilho afirma que o emprego da IA tem se dado especialmente na otimização de tarefas operacionais, como preenchimento de prontuários e organização de processos administrativos, e já demonstra como a tecnologia vem avançando no segmento da saúde.

    "A IA generativa é um recurso mais barato e mais acessível. Quando a gente pensa em outras ferramentas, como reconhecimento de processamento de sinais de imagem e aprendizagem de máquina, o percentual é menor, porque são recursos que têm um custo mais elevado e que têm questões mais sensíveis no uso dos dados dos pacientes", explica.

    Já os estabelecimentos que não usam IA justificaram que não é uma prioridade (62%), não há interesse ou necessidade (53%) e faltam pessoas capacitadas para utilizar (49%). A pesquisadora sinaliza ainda que a falta de regulação sobre o tema gera receios e inibe a implementação.

    "Essa parte mais voltada para o diagnóstico do paciente ainda está sendo mais desenvolvida. Acredito que, quando a gente tiver uma regulamentação direta sobre isso, os próprios profissionais vão se sentir mais seguros e compreender melhor como que eles podem usar essa tecnologia em benefício do paciente, com questões éticas e regulatórias bem definidas, bem claras", aponta.

    A TIC Saúde realizou entrevistas por telefone e questionários online com 3.270 estabelecimentos de saúde em todas as regiões do país, compreendendo equipamentos de atenção primária, unidades com mais e menos de 50 leitos, com e sem internação, além da modalidade SADT em 2025. É a primeira vez que a pesquisa incluiu questões relacionadas ao uso de IA.

    Texto Jeniffer Mendonça
    Arte Aleksandra Ramos
    Edição Alexandre Orrico
  • Jeniffer Mendonça Jeniffer Mendonça
    Governo de Goiás nega pedido de LAI por 'falhas reiteradas' em data center

    Um data center da Secretaria-Geral de Governo de Goiás está sofrendo "falhas reiteradas" que tem afetado a prestação de serviços públicos, segundo ofício assinado em 29.abr.2026 pelo superintendente de Operações e Serviços de Tecnologia da Informação Bruno Caiado Paranhos Carneiro.

    O documento foi enviado ao Núcleo pela Secretaria de Segurança Pública nesta quinta-feira (7.mai.2026) para justificar a negativa de acesso à algumas estatísticas criminais para a produção de uma reportagem solicitadas via Lei de Acesso à Informação.

    Os dados já haviam sido negados em duas oportunidades por outras razões, mas, no recurso de segunda instância, o gerente do Observatório da Segurança Pública Tenison Machado Durões respondeu que as "falhas" impossibilitam temporariamente a pesquisa e extração na base de dados da pasta e recomendou que um novo pedido fosse realizado em 20 dias.

    O ofício do superintendente aponta que o data center "sustenta sistemas vitais" da Secretaria de Segurança Pública e, "embora medidas paliativas tenham sido adotadas", o problema persiste e tem resultado em:

    • Paralisação de Delegacias e Centrais de Flagrante;
    • Retenção de viaturas e comprometimento do fluxo da PM e Bombeiros;
    • Indisponibilidade do registro de ocorrências (RAI);
    • Risco institucional elevado e prejuízo à prestação de serviço ao cidadão.

    O Núcleo não localizou avisos nos canais oficiais do governo goiano sobre o assunto e o documento não informa quando a instabilidade começou. A reportagem procurou as assessorias das secretarias envolvidas, mas não teve retorno até a publicação.

    Goiás foi o primeiro estado no país a aprovar uma política de fomento à inovação em inteligência artificial, em mai.2025, com intuito de atrair investimentos em data centers e outras "infraestruturas digitais estratégicas".

    A lei entrou em vigência antes de o governo federal editar a Medida Provisória do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), em set.2025, que acabou perdendo a validade em fev.2026 e cujo projeto de lei está parado no Senado.

    Texto Jeniffer Mendonça
    Edição Alexandre Orrico
  • Jeniffer Mendonça Jeniffer Mendonça
    Oracle vai indenizar 236 trabalhadores no Brasil após demissão em massa

    A Oracle vai indenizar ao menos 236 trabalhadores no Brasil afetados pela demissão em massa que atingiu 30 mil funcionários, segundo estimativas, em unidades espalhadas por vários países desde mar.2026.

    O Tribunal de Justiça do Trabalho da 2ª região (TRT-2) homologou, nesta terça-feira (5.mai.2026), um acordo entre a Big Tech e o Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd-SP), que havia ingressado com uma ação civil coletiva questionando a dispensa sem informar a entidade.

    O que prevê o acordo

    Além da rescisão, os trabalhadores da unidade de São Paulo e de outras localidades receberão:

    • Manutenção do plano de saúde por três meses, além do período de aviso prévio;
    • Manutenção do vale-refeição ou vale-alimentação por três meses, além do período de aviso prévio;
    • Manutenção do auxílio-creche por três meses, além do período de aviso prévio, para pessoas elegíveis ao benefício na data do desligamento;
    • Manutenção de auxílio a pais de pessoas com deficiência por três meses, além do período de aviso prévio, para as pessoas elegíveis ao benefício na data da demissão;
    • Indenização de R$ 9 mil para cada empregado desligado;
    • Oito horas de workshop de preparação para o mercado.

    Análise do banco TD Cowen estima que o passaralho deve afetar entre 20 mil e 30 mil postos, cerca de 18% da força de trabalho da Oracle, considerando dados de 2025.

    Segundo a CNBC, milhares de cortes estão ocorrendo devido à pressão de investidores por dívidas contraídas pela empresa para investimentos em inteligência artificial. Nos EUA, funcionários dispensados questionam a empresa na justiça e comentaram com a revista Time sobre a pivotagem da companhia rumo à IA.

    No processo do caso brasileiro que o Núcleo teve acesso, a Oracle nega que os desligamentos se deram por causa de IA:

    "As dispensas não tiveram por finalidade a substituição de mão de obra por inteligência artificial, o que se evidencia, por exemplo, pelo fato de que atingiram, indistintamente, diretores, gestores e profissionais da área comercial, funções que, por sua natureza, não são passíveis de substituição por tais tecnologias."
    André Fittipaldi Morade e Lucas de Oliveira Carvalho, advogados que representam a Oracle na ação

    Procurada via assessoria de imprensa, a Oracle afirmou que não vai comentar o assunto.

    Sem regras

    O Sindpd-SP entrou com a ação coletiva em 2.abr.2026, após ser informado por um dos trabalhadores sobre a demissão em massa. Ele também questionou se era legal a Oracle pedir a assinatura de um termo em que os funcionários dispensados "abrem mão de receber assistência sindical em relação à rescisão do contrato de trabalho", um dispositivo previsto após a Reforma Trabalhista de 2017, de acordo com juristas consultados pelo Núcleo.

    Contudo, o Sindpd fundamentou a ação coletiva com base em uma decisão de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2022. A tese é de que "a intervenção sindical prévia é exigência procedimental imprescindível para a dispensa em massa de trabalhadores".

    Isso não significa que o sindicato tem que autorizar a demissão em massa ou exigir que a empresa aceite um acordo, mas precisa ser avisado para participar da negociação. Além dessa jurisprudência, a legislação trabalhista não tem procedimentos específicos para casos de dispensa coletiva.

    Texto Jeniffer Mendonça
    Arte Rodolfo Almeida
    Edição Alexandre Orrico
  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    IA em buscas do Google prejudica pluralismo do jornalismo, aponta documento da UE

    Resumos de notícias com inteligência artificial em buscas do Google, os chamados AI Overviews, prejudicam qualidade, diversidade e independência do ecossistema de informação, afetando o pluralismo do jornalismo e representando um problema de resiliência democrática na Europa, apontou um relatório da União Europeia publicado em abr.2026.

    O documento, produzido pelo Comitê Especial sobre o Escudo Democrático Europeu, soma-se a um crescente escrutínio sobre os efeitos do AI Overviews no mercado editorial em geral, inclusive no Brasil, onde o CADE vai investigar como o recurso tem afetado publicações. Esses resumos estão disponíveis no mundo todo.

    Google terá que prestar contas ao jornalismo no Brasil por uso de IA
    CADE decidiu, por unanimidade, abrir uma investigação formal sobre impacto do resumo de conteúdos de busca AI Overviews na audiência e no valor gerado por sites de jornalismo

    O pluralismo é suprimido pela ferramenta do Google ao gerar "respostas sintetizadas sem visitar os websites das publicações" por trás dos conteúdos, afetando, além de diversidade de fontes e informações, a "distribuição do tráfego, a atenção do usuário e receita de publicidade" desses veículos.

    No ambiente de busca anterior, os usuários geralmente encontravam vários links de diferentes publicadores e exerciam seu próprio julgamento para decidir quais fontes consultar. Os resumos de busca gerados por IA mudam essa arquitetura ao apresentar uma resposta sintetizada em uma única interface, de acordo com critérios que permanecem apenas parcialmente visíveis ao público.
    – Relatório da UE

    Além dessa mudança de dinâmica, há diversos relatos ao longo dos últimos anos de que esses resumos podem gerar conteúdos imprecisos ou simplesmente errados.

    Muitos dos questionamentos anteriores sobre o AI Overviews concentravam-se mais em aspectos econômicos da ferramenta. Em jul.2025, uma aliança de veículos de jornalismo europeu entrou com uma reclamação formal sobre as práticas competitivas do Google. Nos EUA, uma empresa de educação abriu um processo contra a Big Tech, alegando queda na demanda por seus conteúdos.

    O documento da UE também avança sobre esta questão: "As evidências disponíveis agora são suficientemente amplas para sustentar uma conclusão clara: resumos de pesquisa gerados por IA estão associados a taxas de cliques mais baixas para sites externos e a níveis mais altos de comportamento sem cliques [zero-click]."

    Apesar do crescente corpo de evidências, o Google, sem fornecer dados, nega esse declínio e diz que o volume de cliques orgânicos de suas buscas permaneceu "relativamente estável", segundo o relatório.

    Seja como for, o relatório do comitê da UE vai além da visão econômica da queda de referências vindas do Google, uma das principais fontes de tráfego para muitos veículos.

    A questão dos AI Overviews vai além da alocação de receita entre empresas de tecnologia e negócios de mídia. Em sua essência, levanta questões sobre as condições sob as quais as sociedades democráticas garantem acesso a informações diversas e produzidas de forma independente.

    Apenas nos primeiros três meses de 2026, o faturamento total da Alphabet, dona do Google, no período foi de US$110 bilhões, com lucro líquido de US$62 bilhões.

  • Sofia Costa Sofia Costa
    De supetão, maior conferência do mundo sobre direitos humanos na era digital é cancelada

    A RightsCon, maior conferência do mundo sobre direitos humanos na era digital foi cancelada nesta quinta, 29.abr.26, uma semana antes do início oficial. O evento que reuniria milhares de participantes de centenas de países ainda não tem uma nova data.

    A justificativa do Ministério da Informação da Zâmbia, segundo comunicado oficial, foi:

    "O adiamento foi motivado pela necessidade de divulgação abrangente de informações críticas relacionadas com as principais questões temáticas propostas para discussão durante a Cúpula. Essa divulgação é essencial para garantir o pleno alinhamento com os valores nacionais da Zâmbia, as prioridades políticas e as considerações de interesse público mais amplas."
    Comunicado oficial do governo da Zâmbia sobre o cancelamento da conferência

    Rafael Zanatta, codiretor da Data Privacy Brasil e doutor em direito, explica que, mesmo considerando questões culturais e geopolíticas, até o último momento não havia sinais de que o evento não ocorreria:

    "O governo da Zâmbia estava se mostrando muito colaborativo desde o começo. Em abril do ano passado, os ministros da Zâmbia estiveram presentes no DRIF (Digital Rights and Inclusion Forum)."

    As organizações e entidades envolvidas têm emitido posicionamentos sobre o cancelamento, preocupadas com o respeito à pauta de direitos humanos e liberdade de expressão.

    ⚠️
    Nota atualizada em 30.abr.26 às 19h41: ministros da Zâmbia estiveram presentes no DRIF do ano passado, e não deste ano como previamente afirmado.
    Texto Sofia Costa
    Edição Alexandre Orrico
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