Um data center da Secretaria-Geral de Governo de Goiás está sofrendo "falhas reiteradas" que tem afetado a prestação de serviços públicos, segundo ofício assinado em 29.abr.2026 pelo superintendente de Operações e Serviços de Tecnologia da Informação Bruno Caiado Paranhos Carneiro.

O documento foi enviado ao Núcleo pela Secretaria de Segurança Pública nesta quinta-feira (7.mai.2026) para justificar a negativa de acesso à algumas estatísticas criminais para a produção de uma reportagem solicitadas via Lei de Acesso à Informação.

Os dados já haviam sido negados em duas oportunidades por outras razões, mas, no recurso de segunda instância, o gerente do Observatório da Segurança Pública Tenison Machado Durões respondeu que as "falhas" impossibilitam temporariamente a pesquisa e extração na base de dados da pasta e recomendou que um novo pedido fosse realizado em 20 dias.

O ofício do superintendente aponta que o data center "sustenta sistemas vitais" da Secretaria de Segurança Pública e, "embora medidas paliativas tenham sido adotadas", o problema persiste e tem resultado em:

  • Paralisação de Delegacias e Centrais de Flagrante;
  • Retenção de viaturas e comprometimento do fluxo da PM e Bombeiros;
  • Indisponibilidade do registro de ocorrências (RAI);
  • Risco institucional elevado e prejuízo à prestação de serviço ao cidadão.

O Núcleo não localizou avisos nos canais oficiais do governo goiano sobre o assunto e o documento não informa quando a instabilidade começou. A reportagem procurou as assessorias das secretarias envolvidas, mas não teve retorno até a publicação.

Goiás foi o primeiro estado no país a aprovar uma política de fomento à inovação em inteligência artificial, em mai.2025, com intuito de atrair investimentos em data centers e outras "infraestruturas digitais estratégicas".

A lei entrou em vigência antes de o governo federal editar a Medida Provisória do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), em set.2025, que acabou perdendo a validade em fev.2026 e cujo projeto de lei está parado no Senado.

Texto Jeniffer Mendonça
Edição Alexandre Orrico