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Laís Martins Laís Martins
O que o Comitê sobre o Capitólio pode ensinar sobre responsabilização de redes

O Núcleo conversou com Justin Hendrix sobre as conclusões do Comitê que investigou os ataques ao Capitólio, em 6.jan.2021, nos Estados Unidos e sobre como o Brasil poderia avançar caso decida analisar o papel das redes nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8.jan.2023.

Justin Hendrix é editor do Tech Policy Press, uma publicação online com análises e debate sobre questões na intersecção entre tecnologia e democracia. 
  1. Qual é a principal conclusão de como o Comitê do 6.jan.21 lidou com o papel das plataformas de redes sociais na invasão ao Capitólio?

O Comitê de 6 de janeiro não fez nenhuma conclusão oficial nem emitiu nenhuma recomendação sobre o papel das plataformas de redes sociais na invasão ao Capitólio dos Estados Unidos. O relatório final do Comitê recomendou apenas que tais questões continuem a ser estudadas pelas comissões relevantes do Congresso.

O que sabemos sobre a investigação do Comitê sobre esse assunto, no entanto, está contido em um relatório preliminar que vazou e por meio da transcrição de depoimentos com ex-executivos de mídia social.

Em geral, os documentos apontam para um cenário em que grandes plataformas - incluindo Facebook, Twitter e YouTube - durante anos fizeram concessões às suas próprias políticas para permitir que Donald Trump continuasse a usar suas contas, durante anos acomodaram grupos extremistas e redes relacionadas a teorias da conspiração, como QAnon, e durante anos não investiram adequadamente em recursos humanos e técnicos necessários para aplicar suas próprias políticas de desinformação eleitoral e incitação à violência.

Os repetidos avisos internos no Facebook e no Twitter, em particular, foram rejeitados pelos executivos-sêniores por medo de que qualquer ação pudesse ser vista como traição a uma tendência contra os republicanos.

Redes falharam em agir antes de ataque a Capitólio, diz comitê
Washington Post publicou documento com conclusões de investigadores sobre ataques de 6.jan, após papel de redes ter sido deixado de fora do relatório final

2. Em 17.jan, o Washington Post publicou uma reportagem citando fontes anônimas que disseram que o Comitê não examinou essas empresas em seu relatório final devido ao medo de "ofender os republicanos ou as empresas de tecnologia". Olhando para o futuro, como isso afeta as perspectivas para qualquer tipo de regulamentação de tecnologia nos Estados Unidos?

Embora os principais partidos concordem que as empresas de tecnologia nos Estados Unidos precisam de regulamentação, eles discordam sobre o porquê disso ser necessário.

Enquanto os democratas tendem a se concentrar em questões relacionadas a danos online, os republicanos estão preocupados com a possível censura e práticas de moderação de conteúdo que enxergam como contrárias aos seus próprios interesses.

Pairando sobre tudo isso está a realidade de que as empresas de tecnologia gastam muitos milhões em lobby no Congresso e em doações para as campanhas de políticos de ambos os partidos. A agenda regulatória no Capitólio dos EUA é capturada pela indústria, e é por isso que estamos vendo mais atividades nos estados e em litígios do que no Congresso.

3. O relatório final  do Comitê (o oficial de dezembro) mencionou apenas brevemente a responsabilidade dessas empresas de tecnologia. Mais de uma vez o Comitê solicitou informações às empresas (inclusive na forma de intimações após elas não terem respondido às questões iniciais). Sabemos o que (se houver algo) que poderia ser aprendido com as respostas fornecidas pelas empresas?

O relatório e os depoimentos transcritos sugerem que as principais empresas de mídia social foram receptivas ao Comitê, fornecendo documentos internos e disponibilizando executivos para entrevistas.

Algumas das plataformas menores e periféricas, como The Donald [um antigo subreddit que foi removido pelo Reddit e agora opera em domínio próprio] e Parler, também forneceram informações ao Comitê - por exemplo, há referência a relatórios de moderação no The Donald.

Um membro da equipe de investigação me disse que a abordagem das empresas para produzir informações variava muito; algumas foram muito precisas no que decidiram enviar, enquanto outras enviaram uma avalanche de informações, muitas delas estranhas. Há poucas evidências de que os executivos-sêniores das principais plataformas tenham falado diretamente com o comitê.

4. Recentemente, o Brasil também viu extremistas de direita invadirem os prédios de suas instituições democráticas. Alguns legisladores solicitaram a abertura de uma investigação para investigar os eventos de 8.jan.23 e o papel da mídia social pode ser um tópico. Quais são algumas lições que podem ser aprendidas com o Comitê de 6.jan.21 em relação às empresas de tecnologia? O que o Brasil poderia fazer de diferente?

Qualquer investigação no Brasil que possa se basear nos esforços do Comitê do 6.jan.21 para entender as maneiras pelas quais as plataformas de mídia social ajudaram a propagar falsas alegações que inspiraram a violência em Brasília em 8.jan.23, ou as maneiras pelas quais os eventos daquele dia foram organizados e coordenados em plataformas sociais, seria valiosa.

As questões-chave podem incluir como o uso de grupos e o tamanho e como recursos de determinados aplicativos de mensagens em grupo foram usados. E seria valioso saber até que ponto as plataformas falharam em impor suas próprias políticas nas semanas anteriores a 8.jan.23.

Também é importante olhar para a relação entre influenciadores políticos e políticas relacionadas a eles, bem como o papel de jornalistas e outros influenciadores, incluindo alguns baseados nos EUA que usaram plataformas de redes sociais aqui para produzir teorias da conspiração que repercutiram no Brasil e de volta para cá.

Assim como nos EUA, o Brasil terá que pensar profundamente sobre a saúde de seu ambiente de mídia e informação, mesmo enquanto lida com as forças políticas e sociais subjacentes que levaram à violência em 8.jan.23.

Leia a entrevista em inglês aqui:

  1. What is the takeaway of how the January 6th Committee handled the role of social media platforms in the Capitol insurrection?
    The January 6th Committee ultimately made no official conclusion nor issued any recommendations regarding the role of social media platforms in the insurrection at the U.S. Capitol. The final report of the Committee recommended only that such issues continue to be studied by relevant Congressional committees. What we know about the January 6th Committee's investigation into this issue, however, is contained both in a draft report that was leaked, and via transcribed depositions with former social media executives. In general, the documents paint a picture of major platforms- including Facebook, Twitter and YouTube- that had for years made concessions to their own policies to allow Donald Trump to continue to utilize his accounts, had for years accommodated extremist groups and networks related to conspiracy theories such as QAnon, and had for years failed to appropriately invest in the human and technical resources necessary to apply their own policies on election disinformation and incitement to violence. Repeated internal warnings at Facebook and Twitter, in particular, were dismissed by senior executives out of fear that any actions might be seen as betraying a bias against Republicans.

    2. The Washington Post story published on January 17th quoted anonymous sources who said the Committee failed to scrutinize these companies in their final report due to fear of "offending Republicans or the tech companies". Looking forward, how does this impact the outlook for any type of tech regulation in the United States?
    While the major parties both agree that technology firms in the United States are in need of regulation, they disagree about why it is necessary. While Democrats tend to focus on issues related to online harms, Republicans are concerned about potential censorship and content moderation practices that they regard as counter to their own interests. Looming over it all is the reality that tech firms spend many millions on lobbying Congress and on donations to the campaigns of politicians in both parties. The regulatory agenda in the U.S. Capitol is captured by industry, which is why we are seeing more activity in states and in litigation than we are in Congress.

    3. The final report (the official December one) only briefly mentioned the responsibility of these tech companies. More than once the Committee requested information from the companies (including in the form of subpoenas after they failed to address initial questions). Do we know what (if anything) could be learnt from the responses the companies provided?
    The report and the transcribed depositions do suggest that the major social media firms were responsive to the Committee, providing internal documents and making executives available for interviews. Some of the smaller, fringe platforms such as The Donald and Parler also provided information to the Committee- for instance, there is reference to moderation logs on The Donald. One member of the investigative team told me that the approach the companies took to producing information varied greatly; some were very precise in what they chose to send, while some sent an avalanche of information, much of it extraneous. There is little evidence that senior executives at the major platforms spoke directly to the committee.

    4. Recently, Brazil also saw far-right extremists storming into the buildings of its democratic institutions. Some lawmakers have put in requests to open a probe to investigate the Jan. 8th events and the role of social media might be a topic. What are some lessons that can be learnt from the Jan. 6th Committee regarding tech companies? What could Brazil do differently?
    Any investigation in Brazil that could build on the efforts of the January 6th Committee to understand the ways in which social media platforms helped to propagate false claims that inspired the violence in Brasilia on January 8th, or the ways in which the events that day were organized and coordinated on social platforms, would be valuable. Key questions might include how the use of groups, and the size and affordances of certain group messaging applications, were used. And, it would be valuable to know the extent to which the platforms failed to enforce their own policies in the weeks leading up to January 8th. It is also important to look at the relationship between political influencers and policies related to them, as well as the role of journalists and other influencers, including some based in the U.S. who used social media platforms here to produce conspiracy theories that reverberated to Brazil and back. Just as in the U.S., Brazil will have to think deeply about the health of its media and information environment, even as it grapples with the underlying political and social forces that led to the violence on January 8th.
Reportagem Laís Martins
Edição Julianna Granjeia

Outros Jogos Rápidos

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O meme da prateleira vale pra IA

    Análise do The New York Times, nesta quarta-feira (22.jul.2025):

    Os principais índices de ações têm acumulado recorde atrás de recorde nos últimos anos, impulsionados pelo apetite aparentemente sem limites dos investidores por tudo o que esteja conectado à inteligência artificial. O valor total do mercado de ações dos EUA mais que dobrou na última década, ultrapassando os US$ 75 trilhões — cerca de duas vezes e meia a produção anual de toda a economia americana, o que representa, por si só, uma proporção recorde.

    A dependência do crescimento econômico em apenas um setor econômico da maior economia do mundo me lembra aquele meme da prateleira:

    Via The New York Times (link gratuito)

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    OnlyFans ignorou fiscalização brasileira

    Ao menos três empresas de conteúdo digital pornográfico fiscalizadas pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), incluindo a OnlyFans, ignoraram comunicações feitas pelo órgão regulador, que abriu um processo de fiscalização para saber se os sites estão aderindo às restrições de uso de crianças e adolescentes.

    Em publicação no Diário Oficial da União desta quinta-feira (22.jul), a ANPD intimou as empresas por trás dos sites adultos AnimesHentai.biz, OnlyFans.com e ThisVid.com a responderem em 10 dias, após não conseguir contato – elas não possuem endereço no Brasil nem responderam a solicitações por via eletrônica.

    As empresas terão 10 dias para responder à intimação da ANPD. Não há mais detalhes sobre o processo, cujos documentos são sigilosos até agora.

    A ANPD anunciou em jun.2026 ter aberto um processo de fiscalização sobre 18 sites, que representam 98% do tráfego de pornografia online no Brasil, verificando adesão ao ECA Digital, legislação que passou a valer este ano e que trouxe mais proteções a crianças e adolescentes.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Jack Dorsey lança mais um app

    Você piscou e o Jack Dorsey lançou mais uma coisa. O cofundador e ex-CEO do Twitter anunciou nesta terça, 22.jul, o Buzz, um app que parece ser uma mistura de Slack com GitHub e que tem suporte para agentes de inteligência artificial.

    O Buzz entra na lista do apps que Dorsey criou e/ou financiou nos últimos anos, como Square, Cash App, Afterpay, TIDAL, Bluesky, Bitkey e Proto, além, do próprio Twitter/X.

    Via Techcrunch

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    França segue passos da Austrália

    Em uma medida inédita na Europa, a França se tornou o primeiro país do continente a aprovar regulação para restringir o uso de redes sociais por crianças e adolescentes menores de 15 anos.

    A Austrália foi o primeiro a ter trais restrições (nesse caso, para menores de 16 anos), com lei que entrou em vigor em dez.2025.

    Aparentemente, mais países europeus devem seguir o exemplo, como Noruega, Espanha e Dinamarca. Em muitos deles há algumas regras já, mas nada que seja tão restritivo quanto na França.

    No Brasil, o mais perto disso que temos é o chamado ECA Digital, que passou a valor a partir de mar.2026 e que prevê mais segurança para menores, incluindo moderação de conteúdo mais eficiente, ferramentas de supervisão parental, contas de menores de 16 ligadas a responsáveis legais e proteções contra publicidade direcionada, entre outras coisas.

    Segundo a Rádio França Internacional:

    O órgão de vigilância da saúde pública da França afirmou no ano passado que plataformas como TikTok, Snapchat e Instagram eram prejudiciais aos adolescentes, particularmente às meninas, embora tenha ressaltado que elas não eram o único motivo para o declínio de sua saúde mental.

    Via Rádio França Internacional, Ministério da Justiça e g1

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Saldão da divisão Xbox?

    A Microsoft pode estar preparando o terreno para vender a divisão do Xbox. Segundo texto do MeioBit:

    De um lado, a Sony tomou a antipática, porém inevitável, decisão de encerrar a produção de mídias físicas dos consoles PlayStation para games lançados a partir de janeiro de 2028; do outro lado do rio, a Microsoft esviscerou a divisão Xbox ao demitir 1.600 funcionários (e mais 1.600 vão rodar até o fim do ano fiscal), vender e desmembrar estúdios, cancelar games e exterminar projetos e equipes inteiras.

    Obsidian, id Software, Activision, Blizzard e Bethesda foram alguns dos estúdios atingidos. Parece que Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft desde 2014 e nomeado pelo próprio por Bill Gates, não tem mais interesse por videogames e quer deslocar os investimentos para... Inteligência artificial, claro.  

    Há um entendimento de que a real intenção do CEO Satya Nadella que, fato conhecido, está absolutamente obcecado com IA, não é tornar o Xbox lucrativo, mas se livrar dele.

    Um dos candidatos mais fortes para a compra é o Fundo Público de Investimentos (PIF) do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, que controla a SNK e está em vias de concluir a compra da Electronic Arts.

    Via MeioBit.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Jornalismo independente contra bets

    Ainda sobre as bets: nesta terça-feira (21.jul), 15 veículos independentes se uniram em torno de um compromisso de rejeitar anúncios de casas de apostas e repudiar a influência nefasta dessas empresas.

    Veículos que fazem parte da aliança

    • Agência Lupa
    • Agência Pública
    • Alma Preta
    • Amado Mundo
    • Aos Fatos
    • Manual do Usuário
    • Matinal
    • Meio
    • Mobile Time
    • My News
    • Notícia Preta
    • NeoFeed
    • Plural
    • Portal Imprensa
    • Reset

    Os efeitos negativos desse tipo de negócio já são bem conhecidos: comprometem a renda das famílias e atingem de forma desproporcional as classes sociais mais pobres, além do risco de dependência. São danos sociais e econômicos que já assustam até mesmo os bancos.

    O Núcleo também não aceita publicidade de casas de aposta. Há nove meses nós publicamos um texto editorial sobre essa decisão.

    (Curiosidade: alguns desses veículos estão sob o guarda-chuva de empresas maiores que aceitam e/ou aceitaram publicidade de bets, como UOL e Terra)

    Por que o Núcleo não aceita publicidade de bets
    Esclarecimento sobre nossa política de anúncios para nossa comunidade

    Via Meio & Mensagem, Neofeed, Mobile Time, Agência Lupa

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O caso bizarro do engenheiro da Meta preso em Nova York

    Reportagem do New York Post (é um tabloide, meio sensacionalista, então cuidado é necessário):

    Um engenheiro de Nova York, que dizia criar "experiências digitais para crianças" na gigante das redes sociais Meta, foi preso após admitir ter tentado enviar mensagens de teor sexual para uma jovem de 13 anos [...]

    Felker, que listava seu cargo em uma conta do LinkedIn (agora excluída) como Gerente de Engenharia que criava "experiências digitais para crianças" para a Meta, entrou em contato com a "conta isca" de 13 anos do grupo [Predator Poachers Long Island], em maio, e vinha trocando mensagens com eles regularmente desde então, informou o grupo.

    A Meta disse que o engenheiro foi suspenso e que vai colaborar com as investigações.

    Via New York Post

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Bets temem mais regulação no Brasil

    O repórter Pedro S. Teixeira (cara bom), da Folha, fez uma boa reportagem sobre o aumento, no Brasil, de 300% no número de apostas durante a Copa do Mundo.

    Mas o que me chamou atenção mesmo na reportagem foi que as empresas de apostas continuam receosas com potenciais novas regulações sobre publicidade do setor, além das que já foram implementadas recentemente – as bets gastaram mais de R$1,4 bilhão em mídia só em 2025.

    Outro ponto de preocupação para o setor foi a reação do governo Lula, além de estados e municípios, contra a publicidade de jogos de azar durante a Copa.

    O presidente da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), Plínio Lemos Jorge, disse que algum nível de restrição era esperado às vésperas das eleições, mas o setor teme que os anúncios recentes sejam "o início de uma onda de retaliações, que desconsidera os efeitos negativos das restrições".

    Agora em julho, foram publicadas novas regras para anúncios, que restringem, inclusive, o incentivo de bets como uma forma fácil de ganhar dinheiro e a obrigatoriedade de trazer rótulos no estilo Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência.

    Antes tarde do que mais tarde.

    Via Folha de S.Paulo, Agência Brasil, Poder360 e Meio de Mensagem

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Contra a youtubização do Spotify

    Há alguns anos, o Spotify decidiu que concorreria com o YouTube. Podcasts foram incentivados a ganhar versões em vídeo, enquanto músicas passaram a exibir trechos de clipes que, na maioria dos casos, eram reproduzidos automaticamente em segundo plano. Na última sexta-feira (17), reforçando essa estratégia, o BTS lançou o clipe de “NORMAL” com exclusividade de 48 horas no Spotify.

    Esse direcionamento tornou o aplicativo mais confuso e difícil de usar, além de aumentar brutalmente o consumo de bateria e memória dos dispositivos.

    Recentemente, porém, descobri que o Spotify passou a permitir que os usuários desativem por completo vídeos, canvas (os vídeos curtos em loop) e outros recursos visuais.

    Nos links abaixo, há instruções para quem, assim como eu, quer deixar o Spotify com menos cara de árvore de Natal.

    Via WIRED e Tecnoblog

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    "Não é A, é B" – o vício de linguagem dos chatbots

    Artigo interessante na The Atlantic sobre um vício de linguagem avassaladoramente comum em chatbots que têm denunciado implicitamente quem delega pensamento para inteligência artificial:

    "Não é X; é Y". Uma vez que você começa a notar essa construção, você a vê por toda parte. Em uma versão, o Y é aditivo: ele foca, intensifica ou expande o X. Um relatório anual do Citizens Financial Group informou que o crescimento em sua divisão de private banking "não foi apenas uma vitória para o private bank — é uma vitória para toda a empresa". Em outra variante, o Y substitui o X como o descritor preferido... Há também construções como "Sem A, sem B, apenas C", que parecem surgir especialmente em ficção gerada por IA.

    Esse tique nervoso da IA pode acusar pessoas injustamente. Esse tipo de formulação é recorrente, comum, embora agora o exagero seja evidente, especialmente no LinkedIn. Na minha opinião, esses vícios vão forçar algumas pessoas a escrever diferente, a fim de se distanciar da verborragia sintética dos chatbots.

    Eu, por exemplo, sempre usei travessão para escrever, tanto em português quanto em inglês. Confesso que no último ano fui bem mais intencional e limitado com esse uso, justamente para evitar dúvidas de que é um modelo de linguagem escrevendo por mim.

    Via The Atlantic (gift link)

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