De 137 conteúdos sobre assuntos políticos postados nas redes sociais, 73% deles não sinalizavam uso de inteligência artificial entre dez.2025 e fev.2026, segundo levantamento do Observatório IA nas Eleições, projeto realizado pelas organizações Aláfia Lab e Data Privacy Brasil.

Entre os exemplos, estão conteúdos postados por parlamentares como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à presidência da República, que divulgou uma imagem sintética de multidão para convocar os atos pela anistia, em 1.mar.2026, e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que publicou duas deepfakes do presidente Lula.

Uma é a simulação de que Lula estaria chorando pela morte do líder iraniano Ali Khamenei, em ataque dos Estados Unidos. Outra é uma sátira em que ele e aliados aparecem tristes por conta de pesquisas de opinião sobre intenção de voto.

O levantamento também identificou postagens de cunho preconceituoso e de violência política contra a mulher. O sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Leo Índio, postou imagens da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) com trocadilhos transfóbicos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também foi alvo de deepfake em posts que simulam que ela estaria recebendo dinheiro acompanhados de comentários misóginos.

O Observatório também encontrou o uso da IA para fins de desinformação sobre soltura de Jair Bolsonaro, caminhada pela anistia, áudios falsos sobre o escândalo do Banco Master, pesquisa eleitorais falsas e a respeito de membros do Supremo Tribunal Federal.

A maior parte dos casos coletados foram disseminados no Instagram (75), seguido por TikTok (27) e X (15). Também foram identificados casos em menor número nas plataformas YouTube (6), Kwai (3), WhatsApp (1) e Meta AI (1).

Os autores apontam que essas plataformas ainda apresentam limitações quanto à rotulagem de conteúdo gerado por IA. "A disparidade entre plataformas e os limites de visibilidade das sinalizações indicam que grande parte do público ainda é exposta a conteúdos de alto impacto sem informações claras sobre sua natureza artificial", apontam.

Para eles, os achados da pesquisa mostram "o potencial impacto" que as regras aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no início deste mês, podem ter nas eleições.

Entre elas, estão a obrigação de rotulagem clara de conteúdo produzido por IA durante a campanha eleitoral, proibição do uso de deepfakes bem como de divulgação de informações falsas e a criação de conteúdo que promova discriminação e violência política contra a mulher. Além disso, as plataformas também são responsáveis pelo conteúdo ilícito e podem ser penalizadas.

As novidades nas regras do TSE sobre IA nas Eleições 2026
Tribunal incluiu proibições à tática de “indústria de cortes”, usada por Pablo Marçal em 2024, e à recomendação de candidatos por chatbots de IA
Texto Jeniffer Mendonça
Edição Alexandre Orrico