Jogo Rápido
5% dos brasileiros têm na família crianças que foram vítimas de 'desafios' na internet
Dado divulgado nesta terça-feira, 4.nov.2025, faz parte de pesquisa do Instituto Datafolha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
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5% dos brasileiros afirmaram que têm crianças ou adolescentes na família que foram vítimas de desafios na internet que envolvem automutilação, riscos de morte ou violência física. Em estimativa populacional, é o equivalente a aproximadamente 8,6 milhões de pessoas.
O dado, divulgado nesta terça-feira, 4.nov.2025, faz parte de pesquisa de vitimização e percepção da violência encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Instituto Datafolha.
Foram ouvidas 2.007 pessoas com 16 anos ou mais em 130 municípios de todas as cinco regiões brasileiras, entre 2 e 6.jun.2025.
A apresentação ocorreu durante o lançamento da Ação Brasileira para a Consciência Digital (ABCD), associação que reúne organizações nacionais e internacionais voltadas à proteção da criança e do adolescente no ambiente digital.
Presidente do Fórum, Renato Sérgio de Lima explicou que esses desafios, como aspirar desodorante, são realizados em plataformas sem moderação, como o caso do Discord, em que esse público vulnerável busca algum tipo de reconhecimento e os riscos não recebem a atenção devida.
"O que a gente percebeu na pesquisa é que esse é um problema muito mais sério do que aparentemente os dados oficiais revelam, conseguem capturar. Muitas vezes as famílias não relatam porque as pessoas não sabem que é um problema. Muitas vezes as crianças foram tratadas pelo sistema de saúde e não houve registro policial. É difícil rastrear, mas a violência embutida nisso é extremamente grande e que precisa de alguma forma ser colocada no debate para a gente pensar campanhas, regulação de redes, fiscalização", explica.
A tipificação do crime de cyberbullying é recente, já que entrou no Código Penal no ano passado, por meio da Lei 14.811, como uma uma variação do bullying que acontece em ambiente digital. A pena varia de dois a quatro anos de prisão e multa.
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O bullying é descrito no Código Penal como "intimidação sistemática", que pode se dar "individualmente ou em grupo, mediante violência física ou psicológica, uma ou mais pessoas, de modo intencional e repetitivo, sem motivação evidente, por meio de atos de intimidação, de humilhação ou de discriminação ou de ações verbais, morais, sexuais, sociais, psicológicas, físicas, materiais ou virtuais."
Como o Núcleo mostrou, o Anuário Brasileiro da Segurança Pública identificou 452 registros do crime no país, sendo a maioria das vítimas (57,7%) com idades entre 14 e 17 anos em 2024.
A diretora da ABCD, Christina Carvalho Pinto, alerta que há subnotificação e consequências que passam despercebidas, como a produção e distribuição de material de violações contra a população infantojuvenil. "O crime de cyberbullying é um crime nefasto e o que vemos depois dele é a depressão, os suicídios de crianças e adolescentes, a automutilação, o abuso sexual, os estupros e a monetização dos horrores contra crianças", diz.
Para ela, é urgente a atuação do poder público e da regulação e responsabilização das plataformas digitais. "Nós temos leis hoje, como o ECA Digital, que são vitórias, mas há um longo caminho pela frente".
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