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Sofia Schurig Sofia Schurig
O que rolou na audiência sobre segurança infantil nos EUA com CEOs de big techs

Os CEOs do X (antigo Twitter), Meta, TikTok, Discord e Snapchat prestaram depoimento em uma audiência no Senado dos Estados Unidos sobre segurança de menores e exploração sexual infantil.

Como já reportado anteriormente pelo Núcleo, todas as empresas convocadas para depoimento enfrentam problemas relacionados à segurança de menores na plataforma, incluindo o uso dos serviços para obter e compartilhar material de abuso sexual infantil.

A sala de audiência estava ocupada de pais cujos filhos tiraram suas próprias vidas devido a traumas associados às redes sociais ou que foram vítimas de exploração sexual infantil online.

Em um dado momento, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, voltou-se para o público e pediu desculpas às famílias.

O CEO do Snap, Evan Spiegel, também pediu desculpas pelos adolescentes que morreram de overdose após comprarem opioides pela plataforma.

Zuckerberg pede desculpa a famílias de adolescentes
Famílias afirmam que Instagram contribuiu para abusos e suicídios de menores. Cena ocorreu no Congresso norte-americano.

Os projetos de lei no Senado dos EUA sobre segurança online de crianças

Os EUA tem uma série de projetos de lei bipartidários apresentados para combater a exploração de menores de idade online que ainda não foram para votação.

Um dos principais entraves para a aprovação dos projetos é a Seção 230 do Communications Decency Act, uma lei federal da década de 1990 que isenta plataformas digitais, como redes sociais, de ações judiciais relacionadas ao conteúdo publicado por terceiros ou às decisões de remoção de determinados conteúdos.

  • O Kids Online Safety Act, ou KOSA, busca criar responsabilidade, ou um “dever de cuidado”, para aplicativos e plataformas online que recomendam conteúdo a menores que podem afetar negativamente sua saúde mental.
  • O STOP CSAM Act. CSAM refere-se a material de abuso sexual infantil em inglês. O projeto de lei permitiria que as vítimas de exploração sexual online processassem as plataformas de mídia social que promoveram ou facilitaram o abuso e tornaria mais fácil para as vítimas pedirem às empresas de tecnologia que removessem esse conteúdo.
  • EARN IT Act, que visa eliminar a negligência abusiva e desenfreada das tecnologias interativas. O projeto de lei também criaria uma Comissão Nacional de Prevenção à Exploração Sexual Infantil Online.
  • SHIELD ACT, que pretende parar a exploração de imagens nocivas e limitar a distribuição. Ele “garante que os promotores federais tenham ferramentas apropriadas e eficazes para lidar com a distribuição não consensual de imagens sexuais”, segundo o Comitê Judiciário do Senado.
  • O Projeto Lei Infância Segura “modernizaria a investigação e o julgamento de crimes de exploração infantil online”, de acordo com o Comitê Judiciário do Senado.

Leia mais sobre esses projetos no The Verge.

MODERADORES. Um dos senadores pressionou para obter o número exato de moderadores de conteúdo em cada plataforma. Os dados são os seguintes:

  • Meta: 40.000
  • X/Twitter: 2.300
  • TikTok: 40.000
  • Snapchat: “aproximadamente 2.000”
  • Discord: “centenas” — o CEO não forneceu um número exato, mas apontou que tem uma plataforma menor.

Os executivos também foram questionados sobre as demissões em massa que ocorrem desde 2022 e se afetaram os programas de segurança das plataformas.

Zuckerberg afirmou que os cortes de trabalhadores “não foram realmente direcionados especificamente para essa área”. A big tech foi a empresa que mais perdeu funcionários em cargos relacionados à confiança, integridade e responsabilidade, conforme relatado pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

Na manhã antes da audiência, um dos senadores divulgou uma série de emails internos — veja o PDF aqui — trocados por executivos da Meta que mostram que Zuckerberg recusou algumas propostas para aumentar os investimentos em segurança infantil.

Os documentos foram citados anteriormente em um processo de out.23 que acusa a Meta de intencionalmente viciar usuários jovens em seus aplicativos.

CONVERSA COM PAIS. Os executivos foram questionados se já se reuniram com pais para discutir mudanças no design dos seus apps para proteger crianças. Todos afirmaram que sim.

Linda Yaccarino, CEO do X, por exemplo, publicamente apoiou um projeto de lei que quer interromper a distribuição de deepfakes pornográficos não consensuais e a pornografia de vingança. Semana passada, deepnudes da Taylor Swift inundaram a plataforma.

💡
Quando o PL 2630/2020, que busca regular redes e plataformas no Brasil, estava prestes a ser votado, as big techs iniciaram uma campanha de publicidade negativa contra o projeto.

CHINA, DE NOVO. Várias vezes, membros do partido Republicano repetiram que o TikTok é uma ferramenta de espionagem do governo chinês, apesar de Shou Zi Chew, CEO da rede social, ter afirmado em depoimento que a empresa nunca compartilhou dados nem sofreu interferência da China. Alguns parlamentares defenderam o banimento do app no país.

LOJA DE APPS. Zuckerberg defendeu que a verificação de idade dos usuários fosse realizada nas lojas de aplicativos, como a App Store da Apple ou a Play Store do Google, em vez das próprias redes.

Um documento interno divulgado em nov.23 mostrou que o Instagram, a maior rede da Meta, permitiu que crianças circulassem livremente na plataforma. No Brasil, o Instagram usa inteligência artificial para verificar as idades dos usuários.

Edição Alexandre Orrico

Outros Jogos Rápidos

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O meme da prateleira vale pra IA

    Análise do The New York Times, nesta quarta-feira (22.jul.2025):

    Os principais índices de ações têm acumulado recorde atrás de recorde nos últimos anos, impulsionados pelo apetite aparentemente sem limites dos investidores por tudo o que esteja conectado à inteligência artificial. O valor total do mercado de ações dos EUA mais que dobrou na última década, ultrapassando os US$ 75 trilhões — cerca de duas vezes e meia a produção anual de toda a economia americana, o que representa, por si só, uma proporção recorde.

    A dependência do crescimento econômico em apenas um setor econômico da maior economia do mundo me lembra aquele meme da prateleira:

    Via The New York Times (link gratuito)

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    OnlyFans ignorou fiscalização brasileira

    Ao menos três empresas de conteúdo digital pornográfico fiscalizadas pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), incluindo a OnlyFans, ignoraram comunicações feitas pelo órgão regulador, que abriu um processo de fiscalização para saber se os sites estão aderindo às restrições de uso de crianças e adolescentes.

    Em publicação no Diário Oficial da União desta quinta-feira (22.jul), a ANPD intimou as empresas por trás dos sites adultos AnimesHentai.biz, OnlyFans.com e ThisVid.com a responderem em 10 dias, após não conseguir contato – elas não possuem endereço no Brasil nem responderam a solicitações por via eletrônica.

    As empresas terão 10 dias para responder à intimação da ANPD. Não há mais detalhes sobre o processo, cujos documentos são sigilosos até agora.

    A ANPD anunciou em jun.2026 ter aberto um processo de fiscalização sobre 18 sites, que representam 98% do tráfego de pornografia online no Brasil, verificando adesão ao ECA Digital, legislação que passou a valer este ano e que trouxe mais proteções a crianças e adolescentes.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Jack Dorsey lança mais um app

    Você piscou e o Jack Dorsey lançou mais uma coisa. O cofundador e ex-CEO do Twitter anunciou nesta terça, 22.jul, o Buzz, um app que parece ser uma mistura de Slack com GitHub e que tem suporte para agentes de inteligência artificial.

    O Buzz entra na lista do apps que Dorsey criou e/ou financiou nos últimos anos, como Square, Cash App, Afterpay, TIDAL, Bluesky, Bitkey e Proto, além, do próprio Twitter/X.

    Via Techcrunch

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    França segue passos da Austrália

    Em uma medida inédita na Europa, a França se tornou o primeiro país do continente a aprovar regulação para restringir o uso de redes sociais por crianças e adolescentes menores de 15 anos.

    A Austrália foi o primeiro a ter trais restrições (nesse caso, para menores de 16 anos), com lei que entrou em vigor em dez.2025.

    Aparentemente, mais países europeus devem seguir o exemplo, como Noruega, Espanha e Dinamarca. Em muitos deles há algumas regras já, mas nada que seja tão restritivo quanto na França.

    No Brasil, o mais perto disso que temos é o chamado ECA Digital, que passou a valor a partir de mar.2026 e que prevê mais segurança para menores, incluindo moderação de conteúdo mais eficiente, ferramentas de supervisão parental, contas de menores de 16 ligadas a responsáveis legais e proteções contra publicidade direcionada, entre outras coisas.

    Segundo a Rádio França Internacional:

    O órgão de vigilância da saúde pública da França afirmou no ano passado que plataformas como TikTok, Snapchat e Instagram eram prejudiciais aos adolescentes, particularmente às meninas, embora tenha ressaltado que elas não eram o único motivo para o declínio de sua saúde mental.

    Via Rádio França Internacional, Ministério da Justiça e g1

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Saldão da divisão Xbox?

    A Microsoft pode estar preparando o terreno para vender a divisão do Xbox. Segundo texto do MeioBit:

    De um lado, a Sony tomou a antipática, porém inevitável, decisão de encerrar a produção de mídias físicas dos consoles PlayStation para games lançados a partir de janeiro de 2028; do outro lado do rio, a Microsoft esviscerou a divisão Xbox ao demitir 1.600 funcionários (e mais 1.600 vão rodar até o fim do ano fiscal), vender e desmembrar estúdios, cancelar games e exterminar projetos e equipes inteiras.

    Obsidian, id Software, Activision, Blizzard e Bethesda foram alguns dos estúdios atingidos. Parece que Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft desde 2014 e nomeado pelo próprio por Bill Gates, não tem mais interesse por videogames e quer deslocar os investimentos para... Inteligência artificial, claro.  

    Há um entendimento de que a real intenção do CEO Satya Nadella que, fato conhecido, está absolutamente obcecado com IA, não é tornar o Xbox lucrativo, mas se livrar dele.

    Um dos candidatos mais fortes para a compra é o Fundo Público de Investimentos (PIF) do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, que controla a SNK e está em vias de concluir a compra da Electronic Arts.

    Via MeioBit.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Jornalismo independente contra bets

    Ainda sobre as bets: nesta terça-feira (21.jul), 15 veículos independentes se uniram em torno de um compromisso de rejeitar anúncios de casas de apostas e repudiar a influência nefasta dessas empresas.

    Veículos que fazem parte da aliança

    • Agência Lupa
    • Agência Pública
    • Alma Preta
    • Amado Mundo
    • Aos Fatos
    • Manual do Usuário
    • Matinal
    • Meio
    • Mobile Time
    • My News
    • Notícia Preta
    • NeoFeed
    • Plural
    • Portal Imprensa
    • Reset

    Os efeitos negativos desse tipo de negócio já são bem conhecidos: comprometem a renda das famílias e atingem de forma desproporcional as classes sociais mais pobres, além do risco de dependência. São danos sociais e econômicos que já assustam até mesmo os bancos.

    O Núcleo também não aceita publicidade de casas de aposta. Há nove meses nós publicamos um texto editorial sobre essa decisão.

    (Curiosidade: alguns desses veículos estão sob o guarda-chuva de empresas maiores que aceitam e/ou aceitaram publicidade de bets, como UOL e Terra)

    Por que o Núcleo não aceita publicidade de bets
    Esclarecimento sobre nossa política de anúncios para nossa comunidade

    Via Meio & Mensagem, Neofeed, Mobile Time, Agência Lupa

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O caso bizarro do engenheiro da Meta preso em Nova York

    Reportagem do New York Post (é um tabloide, meio sensacionalista, então cuidado é necessário):

    Um engenheiro de Nova York, que dizia criar "experiências digitais para crianças" na gigante das redes sociais Meta, foi preso após admitir ter tentado enviar mensagens de teor sexual para uma jovem de 13 anos [...]

    Felker, que listava seu cargo em uma conta do LinkedIn (agora excluída) como Gerente de Engenharia que criava "experiências digitais para crianças" para a Meta, entrou em contato com a "conta isca" de 13 anos do grupo [Predator Poachers Long Island], em maio, e vinha trocando mensagens com eles regularmente desde então, informou o grupo.

    A Meta disse que o engenheiro foi suspenso e que vai colaborar com as investigações.

    Via New York Post

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Bets temem mais regulação no Brasil

    O repórter Pedro S. Teixeira (cara bom), da Folha, fez uma boa reportagem sobre o aumento, no Brasil, de 300% no número de apostas durante a Copa do Mundo.

    Mas o que me chamou atenção mesmo na reportagem foi que as empresas de apostas continuam receosas com potenciais novas regulações sobre publicidade do setor, além das que já foram implementadas recentemente – as bets gastaram mais de R$1,4 bilhão em mídia só em 2025.

    Outro ponto de preocupação para o setor foi a reação do governo Lula, além de estados e municípios, contra a publicidade de jogos de azar durante a Copa.

    O presidente da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), Plínio Lemos Jorge, disse que algum nível de restrição era esperado às vésperas das eleições, mas o setor teme que os anúncios recentes sejam "o início de uma onda de retaliações, que desconsidera os efeitos negativos das restrições".

    Agora em julho, foram publicadas novas regras para anúncios, que restringem, inclusive, o incentivo de bets como uma forma fácil de ganhar dinheiro e a obrigatoriedade de trazer rótulos no estilo Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência.

    Antes tarde do que mais tarde.

    Via Folha de S.Paulo, Agência Brasil, Poder360 e Meio de Mensagem

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Contra a youtubização do Spotify

    Há alguns anos, o Spotify decidiu que concorreria com o YouTube. Podcasts foram incentivados a ganhar versões em vídeo, enquanto músicas passaram a exibir trechos de clipes que, na maioria dos casos, eram reproduzidos automaticamente em segundo plano. Na última sexta-feira (17), reforçando essa estratégia, o BTS lançou o clipe de “NORMAL” com exclusividade de 48 horas no Spotify.

    Esse direcionamento tornou o aplicativo mais confuso e difícil de usar, além de aumentar brutalmente o consumo de bateria e memória dos dispositivos.

    Recentemente, porém, descobri que o Spotify passou a permitir que os usuários desativem por completo vídeos, canvas (os vídeos curtos em loop) e outros recursos visuais.

    Nos links abaixo, há instruções para quem, assim como eu, quer deixar o Spotify com menos cara de árvore de Natal.

    Via WIRED e Tecnoblog

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    "Não é A, é B" – o vício de linguagem dos chatbots

    Artigo interessante na The Atlantic sobre um vício de linguagem avassaladoramente comum em chatbots que têm denunciado implicitamente quem delega pensamento para inteligência artificial:

    "Não é X; é Y". Uma vez que você começa a notar essa construção, você a vê por toda parte. Em uma versão, o Y é aditivo: ele foca, intensifica ou expande o X. Um relatório anual do Citizens Financial Group informou que o crescimento em sua divisão de private banking "não foi apenas uma vitória para o private bank — é uma vitória para toda a empresa". Em outra variante, o Y substitui o X como o descritor preferido... Há também construções como "Sem A, sem B, apenas C", que parecem surgir especialmente em ficção gerada por IA.

    Esse tique nervoso da IA pode acusar pessoas injustamente. Esse tipo de formulação é recorrente, comum, embora agora o exagero seja evidente, especialmente no LinkedIn. Na minha opinião, esses vícios vão forçar algumas pessoas a escrever diferente, a fim de se distanciar da verborragia sintética dos chatbots.

    Eu, por exemplo, sempre usei travessão para escrever, tanto em português quanto em inglês. Confesso que no último ano fui bem mais intencional e limitado com esse uso, justamente para evitar dúvidas de que é um modelo de linguagem escrevendo por mim.

    Via The Atlantic (gift link)

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