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Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
Bolsonaristas no Telegram insistem em discurso de fraude eleitoral

Incomodados que Jair Bolsonaro não venceu as eleições presidenciais no primeiro turno (apesar do resultado bem mais apertado do que previram pesquisas eleitorais), grupos bolsonaristas no Telegram têm circulado contínuas alegações de fraude eleitoral.

De acordo com monitoramento do Núcleo de mais de 220 canais no Telegram, circulam em diversos grupos mais de 2.000 mensagens que mencionam "fraude" nas eleições, inclusive com chamado à violência.

Essas mensagens já somavam cerca de 240 mil visualizações e 3 mil compartilhamentos monitoráveis (ou seja, que permitem a coleta dessas métricas). Leve em conta que apenas mensagens em canais (e não em grupos) do Telegram possuem dados de views e encaminhamentos – logo, esses números são bem maiores na prática.

O Telegram é tradicionalmente mais permissivo no discurso de fraude eleitoral do que outras redes sociais. Em março, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a suspensão da plataforma em solo brasileiro por não cumprir decisões judiciais.

Até as 11h15 de 3.out.2022, grupos com maior número de menções a esse termo eram o Direita Inteligente (~900 mensagens) e o Super Grupo B-38 (~730). O B-38 é o mesmo grupo que chegou a ser suspenso pelo Telegram em maio por conta desse tipo de retórica.

As mensagens de fraude começaram na madrugada do dia da votação (2.out), mas se intensificaram a partir das 20h do mesmo dia, quando resultados mais definitivos começaram a ser divulgados.

WhatsApp

Alegações de suposta fraude eleitoral também têm aparecido em correntes de WhatsApp em grupos monitorados pelo Radar Aos Fatos.

Quatro das cinco principais correntes de baixa qualidade (veja aqui a metodologia) que circularam em grupos públicos de política no WhatsApp no final de semana do primeiro turno mencionam suposta fraude nas urnas — nunca registradas, desde a implantação do sistema eletrônico de votação no Brasil, em 1996.

  1. A que teve mais compartilhamentos (86) acompanha um vídeo descontextualizado de uma briga entre os senadores Ataídes Oliveira (PROS-TO) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), para provar uma suposta "sensação de derrota" na campanha do PT. Na verdade, o vídeo mostra uma discussão que ocorreu no Senado, em 2017, não na direção do partido, e circula fora de contexto;
  2. Em segundo lugar, aparece uma mensagem de um eleitor na Austrália propondo uma estratégia para escancarar a suposta fraude — não votar. “Quando saiu o boletim de urna no final com MUITO MAIS VOTOS REGISTRADOS DO QUE GENTE QUE FOI VOTAR os esquerdistas ficaram DESESPERADOS AQUI!”, relata corrente que circulou em nove comunidades diferentes.
  3. Na terceira posição ficou uma mensagem que negava o resultado das pesquisas de intenção de voto e convocava uma paralisação de caminhoneiros em caso de fraude. A corrente acompanha vídeo de encontro de Jair Bolsonaro (PL) com apoiadores às vésperas da eleição. “Essa é a verdadeira pesquisa”, dizia.
  4. Focando em eleitores cristãos, a quarta corrente mais popular pedia para que eles se unissem em oração às 21h de sábado (1º) para pedir “que quaisquer fraudes nessas eleições não sejam suficientes para derrubar o Bolsonaro. Ele é a última barreira entre a desgraça e a nossa liberdade”.
  5. A única mensagem entre as mais populares que não falava em fraude eleitoral incentivava o voto em Bolsonaro colocando-o em oposição ao candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “ladrão”. “A pergunta que não quer calar; DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ? Pra que lado você vai votar, pro lado do bem ou do mal?”, questionava.
Por Sérgio Spagnuolo
Reportagem adicional Ethel Rudnitzki (Aos Fatos)
Edição Samira Menezes

Esta reportagem foi feita numa colaboração entre Agência Pública, Aos Fatos e Núcleo Jornalismo para a cobertura das eleições de 2022. A republicação só é permitida com a atribuição de crédito para todas as organizações.

Texto atualizado às 15h40 de 3.out.2022 com dados de WhatsApp.

Outros Jogos Rápidos

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O meme da prateleira vale pra IA

    Análise do The New York Times, nesta quarta-feira (22.jul.2025):

    Os principais índices de ações têm acumulado recorde atrás de recorde nos últimos anos, impulsionados pelo apetite aparentemente sem limites dos investidores por tudo o que esteja conectado à inteligência artificial. O valor total do mercado de ações dos EUA mais que dobrou na última década, ultrapassando os US$ 75 trilhões — cerca de duas vezes e meia a produção anual de toda a economia americana, o que representa, por si só, uma proporção recorde.

    A dependência do crescimento econômico em apenas um setor econômico da maior economia do mundo me lembra aquele meme da prateleira:

    Via The New York Times (link gratuito)

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    OnlyFans ignorou fiscalização brasileira

    Ao menos três empresas de conteúdo digital pornográfico fiscalizadas pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), incluindo a OnlyFans, ignoraram comunicações feitas pelo órgão regulador, que abriu um processo de fiscalização para saber se os sites estão aderindo às restrições de uso de crianças e adolescentes.

    Em publicação no Diário Oficial da União desta quinta-feira (22.jul), a ANPD intimou as empresas por trás dos sites adultos AnimesHentai.biz, OnlyFans.com e ThisVid.com a responderem em 10 dias, após não conseguir contato – elas não possuem endereço no Brasil nem responderam a solicitações por via eletrônica.

    As empresas terão 10 dias para responder à intimação da ANPD. Não há mais detalhes sobre o processo, cujos documentos são sigilosos até agora.

    A ANPD anunciou em jun.2026 ter aberto um processo de fiscalização sobre 18 sites, que representam 98% do tráfego de pornografia online no Brasil, verificando adesão ao ECA Digital, legislação que passou a valer este ano e que trouxe mais proteções a crianças e adolescentes.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Jack Dorsey lança mais um app

    Você piscou e o Jack Dorsey lançou mais uma coisa. O cofundador e ex-CEO do Twitter anunciou nesta terça, 22.jul, o Buzz, um app que parece ser uma mistura de Slack com GitHub e que tem suporte para agentes de inteligência artificial.

    O Buzz entra na lista do apps que Dorsey criou e/ou financiou nos últimos anos, como Square, Cash App, Afterpay, TIDAL, Bluesky, Bitkey e Proto, além, do próprio Twitter/X.

    Via Techcrunch

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    França segue passos da Austrália

    Em uma medida inédita na Europa, a França se tornou o primeiro país do continente a aprovar regulação para restringir o uso de redes sociais por crianças e adolescentes menores de 15 anos.

    A Austrália foi o primeiro a ter trais restrições (nesse caso, para menores de 16 anos), com lei que entrou em vigor em dez.2025.

    Aparentemente, mais países europeus devem seguir o exemplo, como Noruega, Espanha e Dinamarca. Em muitos deles há algumas regras já, mas nada que seja tão restritivo quanto na França.

    No Brasil, o mais perto disso que temos é o chamado ECA Digital, que passou a valor a partir de mar.2026 e que prevê mais segurança para menores, incluindo moderação de conteúdo mais eficiente, ferramentas de supervisão parental, contas de menores de 16 ligadas a responsáveis legais e proteções contra publicidade direcionada, entre outras coisas.

    Segundo a Rádio França Internacional:

    O órgão de vigilância da saúde pública da França afirmou no ano passado que plataformas como TikTok, Snapchat e Instagram eram prejudiciais aos adolescentes, particularmente às meninas, embora tenha ressaltado que elas não eram o único motivo para o declínio de sua saúde mental.

    Via Rádio França Internacional, Ministério da Justiça e g1

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Saldão da divisão Xbox?

    A Microsoft pode estar preparando o terreno para vender a divisão do Xbox. Segundo texto do MeioBit:

    De um lado, a Sony tomou a antipática, porém inevitável, decisão de encerrar a produção de mídias físicas dos consoles PlayStation para games lançados a partir de janeiro de 2028; do outro lado do rio, a Microsoft esviscerou a divisão Xbox ao demitir 1.600 funcionários (e mais 1.600 vão rodar até o fim do ano fiscal), vender e desmembrar estúdios, cancelar games e exterminar projetos e equipes inteiras.

    Obsidian, id Software, Activision, Blizzard e Bethesda foram alguns dos estúdios atingidos. Parece que Satya Nadella, diretor executivo da Microsoft desde 2014 e nomeado pelo próprio por Bill Gates, não tem mais interesse por videogames e quer deslocar os investimentos para... Inteligência artificial, claro.  

    Há um entendimento de que a real intenção do CEO Satya Nadella que, fato conhecido, está absolutamente obcecado com IA, não é tornar o Xbox lucrativo, mas se livrar dele.

    Um dos candidatos mais fortes para a compra é o Fundo Público de Investimentos (PIF) do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, que controla a SNK e está em vias de concluir a compra da Electronic Arts.

    Via MeioBit.

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Jornalismo independente contra bets

    Ainda sobre as bets: nesta terça-feira (21.jul), 15 veículos independentes se uniram em torno de um compromisso de rejeitar anúncios de casas de apostas e repudiar a influência nefasta dessas empresas.

    Veículos que fazem parte da aliança

    • Agência Lupa
    • Agência Pública
    • Alma Preta
    • Amado Mundo
    • Aos Fatos
    • Manual do Usuário
    • Matinal
    • Meio
    • Mobile Time
    • My News
    • Notícia Preta
    • NeoFeed
    • Plural
    • Portal Imprensa
    • Reset

    Os efeitos negativos desse tipo de negócio já são bem conhecidos: comprometem a renda das famílias e atingem de forma desproporcional as classes sociais mais pobres, além do risco de dependência. São danos sociais e econômicos que já assustam até mesmo os bancos.

    O Núcleo também não aceita publicidade de casas de aposta. Há nove meses nós publicamos um texto editorial sobre essa decisão.

    (Curiosidade: alguns desses veículos estão sob o guarda-chuva de empresas maiores que aceitam e/ou aceitaram publicidade de bets, como UOL e Terra)

    Por que o Núcleo não aceita publicidade de bets
    Esclarecimento sobre nossa política de anúncios para nossa comunidade

    Via Meio & Mensagem, Neofeed, Mobile Time, Agência Lupa

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    O caso bizarro do engenheiro da Meta preso em Nova York

    Reportagem do New York Post (é um tabloide, meio sensacionalista, então cuidado é necessário):

    Um engenheiro de Nova York, que dizia criar "experiências digitais para crianças" na gigante das redes sociais Meta, foi preso após admitir ter tentado enviar mensagens de teor sexual para uma jovem de 13 anos [...]

    Felker, que listava seu cargo em uma conta do LinkedIn (agora excluída) como Gerente de Engenharia que criava "experiências digitais para crianças" para a Meta, entrou em contato com a "conta isca" de 13 anos do grupo [Predator Poachers Long Island], em maio, e vinha trocando mensagens com eles regularmente desde então, informou o grupo.

    A Meta disse que o engenheiro foi suspenso e que vai colaborar com as investigações.

    Via New York Post

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    Bets temem mais regulação no Brasil

    O repórter Pedro S. Teixeira (cara bom), da Folha, fez uma boa reportagem sobre o aumento, no Brasil, de 300% no número de apostas durante a Copa do Mundo.

    Mas o que me chamou atenção mesmo na reportagem foi que as empresas de apostas continuam receosas com potenciais novas regulações sobre publicidade do setor, além das que já foram implementadas recentemente – as bets gastaram mais de R$1,4 bilhão em mídia só em 2025.

    Outro ponto de preocupação para o setor foi a reação do governo Lula, além de estados e municípios, contra a publicidade de jogos de azar durante a Copa.

    O presidente da ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias), Plínio Lemos Jorge, disse que algum nível de restrição era esperado às vésperas das eleições, mas o setor teme que os anúncios recentes sejam "o início de uma onda de retaliações, que desconsidera os efeitos negativos das restrições".

    Agora em julho, foram publicadas novas regras para anúncios, que restringem, inclusive, o incentivo de bets como uma forma fácil de ganhar dinheiro e a obrigatoriedade de trazer rótulos no estilo Ministério da Fazenda adverte: apostar pode causar dependência.

    Antes tarde do que mais tarde.

    Via Folha de S.Paulo, Agência Brasil, Poder360 e Meio de Mensagem

  • Alexandre Orrico Alexandre Orrico
    Contra a youtubização do Spotify

    Há alguns anos, o Spotify decidiu que concorreria com o YouTube. Podcasts foram incentivados a ganhar versões em vídeo, enquanto músicas passaram a exibir trechos de clipes que, na maioria dos casos, eram reproduzidos automaticamente em segundo plano. Na última sexta-feira (17), reforçando essa estratégia, o BTS lançou o clipe de “NORMAL” com exclusividade de 48 horas no Spotify.

    Esse direcionamento tornou o aplicativo mais confuso e difícil de usar, além de aumentar brutalmente o consumo de bateria e memória dos dispositivos.

    Recentemente, porém, descobri que o Spotify passou a permitir que os usuários desativem por completo vídeos, canvas (os vídeos curtos em loop) e outros recursos visuais.

    Nos links abaixo, há instruções para quem, assim como eu, quer deixar o Spotify com menos cara de árvore de Natal.

    Via WIRED e Tecnoblog

  • Sérgio Spagnuolo Sérgio Spagnuolo
    "Não é A, é B" – o vício de linguagem dos chatbots

    Artigo interessante na The Atlantic sobre um vício de linguagem avassaladoramente comum em chatbots que têm denunciado implicitamente quem delega pensamento para inteligência artificial:

    "Não é X; é Y". Uma vez que você começa a notar essa construção, você a vê por toda parte. Em uma versão, o Y é aditivo: ele foca, intensifica ou expande o X. Um relatório anual do Citizens Financial Group informou que o crescimento em sua divisão de private banking "não foi apenas uma vitória para o private bank — é uma vitória para toda a empresa". Em outra variante, o Y substitui o X como o descritor preferido... Há também construções como "Sem A, sem B, apenas C", que parecem surgir especialmente em ficção gerada por IA.

    Esse tique nervoso da IA pode acusar pessoas injustamente. Esse tipo de formulação é recorrente, comum, embora agora o exagero seja evidente, especialmente no LinkedIn. Na minha opinião, esses vícios vão forçar algumas pessoas a escrever diferente, a fim de se distanciar da verborragia sintética dos chatbots.

    Eu, por exemplo, sempre usei travessão para escrever, tanto em português quanto em inglês. Confesso que no último ano fui bem mais intencional e limitado com esse uso, justamente para evitar dúvidas de que é um modelo de linguagem escrevendo por mim.

    Via The Atlantic (gift link)

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