O professor e pesquisador Raniê Solarevisky participou do bate-papo "Como usar IA para desenvolver aplicações e interativos" com a comunidade do Núcleo no Discord, o NucleoHub, na quinta-feira, 16.abr.26.

Raniê é professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Goiás e em seu doutorado estudou comunicação e inteligência artificial com foco nos sistemas de voz da Alexa, da Amazon. Desde que concluiu o doutorado, em 2020, voltou o olhar para a IA dentro do jornalismo. Ele coordena o laboratório de pesquisa Nodus, com foco em Jornalismo Digital.

Uma das iniciativas desenvolvidas no laboratório é o Conteúdo JoIA: Jornalismo Digital Responsável com Processamento de Linguagem Natural. A perspectiva que a orienta, segundo ele, é a de usar IA para fazer coisas que levariam muito tempo para ser feitas manualmente, ou que o jornalista simplesmente não saberia fazer sozinho, e não para escrever textos no lugar do repórter.

"Usar a IA para escrever textos, para um jornalista experiente, frequentemente vai gastar muito mais tempo por ter que reescrever alguma coisa que o Chat fez do que fazer pelas próprias mãos."

Foi nessa perspectiva que ele estruturou a disciplina 'Reportagem com Processamento de Linguagem Natural', oferecida na UFG. Na prática, os estudantes desenvolveram aplicações interativas para suas reportagens usando IA sem escrever código diretamente, usando vibe coding: o aluno descreve o que quer, a ferramenta entrega o código, e aí começa um processo de teste, identificação de falhas e ajustes.

Todo o trabalho jornalístico — apuração, entrevistas, texto — foi feito pelos estudantes. O uso da IA era restrito à parte interativa.

SOLUÇÕES. Surgiram calculadoras de imposto de renda, leitores de tela, quizzes sobre sustentabilidade e novas formas de apresentar informações. A proposta era aumentar a retenção do leitor, e as métricas confirmaram que funcionou: as pessoas passavam mais tempo nas matérias e interagiam mais.

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A gravação do bate-papo está disponível no fórum do NucleoHub, nossa comunidade no Discord. Sempre avisamos por lá sobre nossos próximos eventos, assim como pelo WhatsAppInstagram e LinkedIn.

Ao longo da conversa, Raniê foi enfático ao rebater o discurso de que IA é "só uma ferramenta" e que o que importa é como você a usa. Ele defende que, ao contrário de um pincel ou uma câmera, esses sistemas têm a programação de quem os construiu embutida na linha de raciocínio.

"Eu não conheço um martelo que vai pedir para alguém tentar suicídio, como o Chat fez algum tempo atrás com um jovem. Não conheço uma chave de fenda que vai se recusar a funcionar como o DeepSeek se recusa quando você coloca a foto do Tank Man e pede para ele descrever o que vê."

TRANSPARÊNCIA. Raniê compartilhou que a disciplina criou uma política de uso inspirada na do Núcleo, com usos considerados aceitáveis, outros não, e um princípio de identificação sempre que a ferramenta fosse utilizada. Para ele, a transparência é um requisito inegociável, especialmente enquanto o uso de IA ainda gera desconfiança.

O professor ressalta o papel da faculdade na experimentação e destaca que disciplina foi importante também para que os alunos tivessem uma compreensão mais ampla da inteligência artificial, incluindo possibilidades, limitações, questões éticas e sua relação com o jornalismo.

Texto Sofia Costa
Edição Alexandre Orrico