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Homens usam Telegram para vender nudes de mulheres e material de abuso infantil
// Organização AI Forensics analisou 2,8 milhões de mensagens em grupos espanhóis e italianos; prática criminosa envolve de bots para gerar deepfakes de nudez até aquisição de ferramentas para espionar vítimas
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Homens estão usando o Telegram como um verdadeiro ecossistema para espalhar e vender imagens íntimas de mulheres e meninas sem o consentimento delas. Entre os mais de 82 mil arquivos distribuídos, a maioria dos conteúdos é de material de abuso sexual infantil e representações de incesto e estupro, segundo a organização europeia AI Forensics.
O relatório lançado nesta quarta-feira (8.abr.2026) analisou 2,8 milhões de mensagens em 16 grupos espanhóis e italianos entre 22.dez.2025 e 10.fev.2026. A entidade identificou quase 25 mil usuários ativos que se aproveitam da ausência de moderação da plataforma para vender o material a valores que variam de 20 a 50 euros para acesso vitalício (em torno de R$ 119,2 a R$ 298 na cotação atual) ou 5 euros para assinatura mensal (R$ 29,8). Os pagamentos são realizados por meio de sistemas digitais, como PayPal, e criptomoedas.
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Os serviços vão desde o uso de bots para despir fotos das vítimas e aumentar a escala de produção até a práticas de assédio cibernético, com o uso de spyware (instalação de arquivo malicioso para espionagem e roubo de dados), ferramentas de hacking, gamificação da violência e doxxing (exposição de informações pessoais ou sensíveis para intimidar ou humilhar vítimas).
Segundo a entidade, os conteúdos são distribuídos em outras plataformas. Foram identificadas 19,6 mil menções ao TikTok. Já o Instagram foi citado 2,1 mil vezes em conexão com links diretos para perfis pessoais ou capturas de tela de conversas privadas. WhatsApp e Reddit também aparecem como meios para envios de convites para canais e grupos do Telegram.
A AI Forensics afirma que denunciou todos os grupos e canais ao Telegram, mas em poucas horas outros com os mesmos nomes foram criados novamente, o que evidencia "falha sistêmica" para coibir esse tipo de crime.
Ao site Wired, a assessoria do Telegram disse que a empresa remove “milhões” de conteúdos por dia usando “ferramentas de IA personalizadas” e que possui políticas na Europa que não permitem a promoção de violência, conteúdo sexual ilegal, incluindo imagens sem consentimento, e outros conteúdos como divulgação de informações pessoais e venda de bens e serviços ilegais.

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